quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

FANTASMA - O SEGREDO DA ARCA

 



Crédito: Bene



CANTINHO DO KFS

 MANDRAKE – MARCAS DO PASSADO - 010 


                                                                                              

 

 


 

POPEYE – QUEM SOU EU – 112



 

 




DICK TRACY - SR. SUBORNO & DENTES DE SERRA II – 052



 

 




BRUCUTU – 885



 



 

JAMES BOND – TIRO CERTEIRO – 040



 


 

 

 

CRÉDITO: BANZÉ BARUEL

FANTASMA - OS CANALHAS DO RIO ZUMARIDI - 207

 

Roteiro: Tony DePaul

Arte: Mike Manley

Tradução: Glaucio Cardoso


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Fantasma: O Espírito Eterno


    Em 17 de fevereiro de 1936, nasci duas vezes.

    A primeira foi nas praias de Bangalla, sob o juramento antigo feito diante da caveira do assassino de meu pai: “Eu juro dedicar minha vida à destruição da pirataria, ganância, crueldade e injustiça. Meus filhos e seus filhos me seguirão.”

    A segunda foi nas páginas amareladas de um jornal, quando Lee Falk me deu voz pela primeira vez. Desde então, caminho por duas selvas — a de Bangalla... e a de papel.

    Hoje, em 2026, dizem que completam noventa anos desde aquela primeira tira diária. Noventa anos para vocês. Para mim, apenas mais um giro da ampulheta na eternidade.

    A noite em Bangalla estava inquieta.

    O vento soprava do mar como um mensageiro antigo, trazendo rumores de homens que exploravam as rotas ilegais no Golfo de Bengala. Piratas modernos — não de espadas curvas, mas de satélites e fuzis automáticos. O mal muda de máscara, mas não de intenção.

    Eu montava Herói, quando senti algo estranho. Não o presságio do perigo — esse é meu velho conhecido — mas outra coisa. Um chamado distante, que não vinha da floresta. Vinha do mundo.

    Fechei os olhos por um instante e quase pude ouvir o farfalhar de páginas sendo viradas. Crianças em 1940 segurando o jornal com dedos manchados de tinta. Soldados em trincheiras dobrando cuidadosamente uma tira recortada para guardá-la no bolso do uniforme. Pais nos anos 70, apontando para um quadrinho e dizendo aos filhos: “Este é o Fantasma. Ele nunca morre.”

    Eles estavam certos. O Fantasma morre, mas manto, não.

    A cada geração, um de nós veste o uniforme púrpura, coloca o anel da caveira e assume o juramento. Eu sou o vigésimo primeiro. Mas também sou todos eles. E, de certo modo, sou cada leitor que acredita.


    A trilha me levou até um vilarejo costeiro. Homens armados haviam tomado o porto improvisado. Exploravam pescadores, traficavam artefatos antigos, ameaçavam crianças. O tipo de tirania que se espalha quando ninguém ousa enfrentá-la. Eu ouso.

    Saltei das sombras como fizera meu pai, e o pai dele, e todos os que vieram antes.

    O primeiro homem que me viu empalideceu.

    É o Fantasma! — sussurrou.

    Me pergunto como esse nome atravessa continentes. Não há internet na selva profunda, mas há a lenda. E a lenda corre mais rápido que qualquer fibra óptica.

    Desarmei dois, derrubei três. O anel marcou a face do líder — a caveira impressa na carne, sinal de que a justiça cruzou seu caminho. Não precisei matar. O medo do “Espírito que Anda” fez o resto.

    Quando a poeira baixou, uma menina se aproximou, devia ter uns dez anos. Trazia nas mãos algo inesperado: uma revista antiga, dobrada com cuidado.

    A capa estava gasta, mas reconheci o traço clássico — a elegância das linhas que, em tantas décadas, outros artistas desenharam depois de Falk. Ela apontou para a imagem e depois para mim.

    É você — disse, com uma convicção que nem a selva ousaria desafiar.

    Sorri sob a máscara.

    Sou o Espírito que Anda— respondi.

    Mas isso não é toda a verdade.

    De volta à Caverna da Caveira, sentei-me diante dos túmulos dos meus ancestrais. Cada um representa um Fantasma que tombou. Nenhum foi esquecido.

    Pensei nos leitores que envelheceram comigo. Nos que começaram nas tiras de jornal e depois me encontraram em álbuns coloridos, em reedições, em novas línguas. Do sueco ao português, do inglês ao hindi. Em cada país, um nome ligeiramente diferente. Mas sempre o mesmo juramento.

    O mundo mudou desde 1936. Impérios caíram. Guerras vieram e se foram. A tecnologia transformou o modo como as histórias são contadas. No entanto, algo permanece.

    As pessoas ainda precisam acreditar que alguém vigia na noite, não um deus, não um super humano.

    Mas um homem que escolheu seguir a tradição.

    Esse sempre foi o verdadeiro legado que Lee Falk me confiou. Não a imortalidade literal — mas a ideia de que o bem pode atravessar gerações se alguém estiver disposto a carregar o fardo.


    Às vezes, imagino o próprio Falk inclinado sobre sua prancheta, em 1936, talvez sem saber que criava algo que ultrapassaria o século. Talvez soubesse, os criadores sentem essas coisas.

    Ele me deu uma selva fictícia chamada Bangalla. Mas vocês me deram o mundo.

    Sou o herói de pais que apresentaram o Fantasma aos filhos. Sou o eco das manhãs de domingo. Sou a memória de bancas de jornal que já não existem. Sou o personagem que sobreviveu à tinta, ao papel e ao tempo.

    Noventa anos da primeira tira diária. Noventa anos desde que comecei a andar também nas cidades de concreto, nos apartamentos, nos bolsos, nos sonhos das pessoas.

    Enquanto houver injustiça, vestirei o uniforme.

    Enquanto houver leitores, respirarei.

    E quando meu tempo terminar — como terminou o de meu pai — meu filho assumirá, já está se preparando agora, nas montanhas do Himalaia.

    Pois o Fantasma não é apenas um homem. É uma promessa.

    Eu sou o Espírito que Anda.

    E andarei enquanto alguém, em algum lugar do mundo, abrir uma página e acreditar.

Por Raphael Giovanni Tonussi

Brasil - Fevereiro de 2026.

MUNDO DE AVENTURAS # 237 - FANTASMA

 





Crédito: Rin tin tin



CANTINHO DO KFS

 MANDRAKE – MARCAS DO PASSADO - 009


                                                                                               

 

 


 

POPEYE – QUEM SOU EU – 111




 



 

DICK TRACY - SR. SUBORNO & DENTES DE SERRA II – 051








 

 

BRUCUTU – 884






 

 

JAMES BOND – TIRO CERTEIRO – 039



 

 


 

 

CRÉDITO: BANZÉ BARUEL

FANTASMA - OS CANALHAS DO RIO ZUMARIDI - 206


 Roteiro: Tony DePaul

Arte: Mike Manley

Tradução: Glaucio Cardoso


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