Conheça Lee Falk



Aqueles leitores com certa idade lembrarão, com certeza, da época em que liam nos jornais as tiras do Fantasma e Mandrake, o Mágico. Talvez não saibam que ambas as criações saíram da mente da mesma pessoa. Pois, é. O autor dessa proeza foi Lee Falk.


Nascido em St Louis, Missouri, em 28 de Abril de 1911, Leon Harrison Gross sempre teve inclinação para as letras e desde muito jovem escrevia contos, artigos e poemas. Após se graduar na Universidade de Illinois, trabalhou numa agência de publicidade como redator. Foi então que conheceu um jovem ilustrador chamado Phil Davis. Juntos criaram a tira Mandrake. Dizem as más línguas que o jovem Falk se inspirara no livro A Mandrágora. Seja como for, Mandrake trazia com ele todos os elementos do mágico de vaudeville que o escritor guardara da sua infância no Missouri.





As aventuras do mágico, sempre acompanhado de Lothar, rei de uma distante tribo africana, e da princesa Narda saíram pela primeira vez no dia 11 de junho de 1934. Era distribuída pelo King Features Syndicate e, já no início, foi um sucesso.


Mandrake reunia tudo o que representava o fascínio da América dos anos 30. Seu rosto, baseado no do próprio Falk, reunia todos os traços típicos do homem de aventuras exóticas que o cinema da época tinha se encarregado de mistificar: elegante, viril, enigmático, cavalheiresco e pronto para a ação. Até a presença de Lothar, com seu enorme corpanzil negro, só tinha a finalidade de destacar Mandrake graficamente. O mágico criado por Falk e Davis enfrentava gánsteres e até seu adversário, O COBRA - um mestre das artes míticas à altura de nosso herói - com a postura de um galã de cinema. Mandrake era o glamour hollywodiano em ação


O Primeiro Justiceiro Mascarado
Com o sucesso de Mandrake, Lee Falk tinha encontrado a galinha dos ovos de ouro. Criou, então em colaboração com o desenhista Ray Moore - O Fantasma, um dos mais célebres e duradouros mitos das histórias em quadrinhos. Antes dele já existiam heróis justiceiros, mas aquele mascarado era o justiceiro no sentido mais puro. Ele lutava sempre em defesa dos oprimidos. Seu combate - e como combatia- era contra piratas, traficantes, a ralé da espécie humana. Antecipando em muito os heróis com malha colante, o herói trazia o rosto coberto com uma máscara, alimentando a aura de mistério que o rodeava. E, como se fosse pouco ainda estavam os cenários exóticos como o golfo de Bengala - na melhor tradição de Emilio Salgari, a Caverna da caveira, os pigmeus Bandar e a lenda da imortalidade.
O Fantasma ou "espírito que anda" é imortal, é o rumor que se espalha entre as tribos vizinhas. Mas ele é o primeiro herói que pode morrer, rompendo com o costume das historias em quadrinhos. Assim descobrimos que esta é uma tradição que passa de pai para filho, através de gerações, após o juramento feito pelo sobrevivente de um ataque pirata ante a caveira do assassino do seu pai. Pelas crônicas dos Fantasmas sabemos que o atual Fantasma é o 21º de uma estirpe de lutadores contra o crime.



Se não bastasse o roteiro primoroso, o desenhista Ray Moore - criador visual da historia - caprichou com seu traço misterioso, estilo filme noir, cheio de sombras sugestivas, cenas noturnas, contornos suaves e mágicos. O Fantasma, que saiu nos jornais no dia 17 de fevereiro de 1936, foi um sucesso absoluto.

Falk se tornou um dos roteiristas mais bem sucedidos do King Features Syndicate. Apesar de dedicar-se às duas séries - que ainda são publicadas em centenas de revistas e jornais pelo mundo - também escreveu peças de teatro, contos e livros sobre o Fantasma.
Em 1971, no Salão de Lucca, na Itália, Falk recebeu um troféu por seu significativo trabalho como roteirista. Num festival que premia o trabalho dos artistas gráficos isto é, no mínimo, notável.
Falk faleceu no dia 13 de Março de 1999 pela manhã em New York, Estados Unidos de Insuficiência Cardíaca.

2 comentários:

  1. Olá, sou professora aposentada, tenho 65 anos e sou fã do Fantasma desde criança. Cursei Jornalismo e Letras e, nos dois cursos, meu trabalho de conclusão foi sobre o Fantasma. Tenho uma boa coleção de HQ, incluindo algumas raridades, como a Mônica número 1 e muitas outras... Adorei seu blog, pois faz tempo que não leio sobre meu herói preferido. Espero que continues esse trabalho, pois Lee Falk deixou um grande legado. Abraço
    Sandra Paim Dias

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  2. Olá amiga Sandra Maria,
    é uma satisfação receber seu comentário, e muito me alegra ver uma professora, formada em letras e jornalismo que aprecia a Nona Arte.
    E levando em conta que seus trabalhos de conclusão foram sobre o nosso querido Fantasma, quero deixar as portas abertas do nosso blog, caso você queira participar com artigos ou de qualquer outra forma.
    Grande Abraço
    Sabino

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