segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CURIOSIDADES SOBRE O FANTASMA



Olá amigos estamos de volta com mais um artigo das "curiosidades sobre o Fantasma".
E hoje temos uma novidade nesta seção do nosso blog, estamos publicando um artigo escrito por nosso colaborador Kall, tenho certeza que será do agrado de todos.

Com a palavra Kall:

É realmente uma pena que não foram lançadas aqui no Brasil, as histórias do Fantasma publicadas pela Editora Moonstone. O blog Fantasma Brasil publicou ótimos artigos sobre essa fase, que estão disponíveis nesse link, e também nesse outro link. Uma das séries que eles lançaram, chamava-se "The Phantom - The Ghost Who Walks". A única maneira de se ler esse material em português, foi através dos "scanlations" que foram feitos. Para quem não conhece esse termo, scanlations refere-se ao trabalho, geralmente efetuado por fãs, no qual a revista original é scaneada, e em seguida é feita a tradução e a diagramação, para distribuição gratuita entre os entusiastas das histórias em quadrinhos.

As diversas capas

Veja a seguir, as capas que foram lançadas para a edição número 1 da "The Phantom - The Ghost Who Walks", que foi lançada nos Estados Unidos em março de 2009.



Capas A e B: ambas com desenhos de Silvestre Szilaggi


Capa C: desenhos de Sy Barry

Um fato interessante é com relação às diversas capas. Isso se tornou meio que o padrão nos Estados Unidos, das editoras lançarem a mesma edição com diversas capas alternativas. Algumas vezes, até as lojas especializadas encomendam capas exclusivas para as editoras, e torna o mercado de quadrinho atraente, pois alguns leitores podem estar dispostos a comprar mais de uma edição só para ter as suas capas preferidas.

A Capa de Sy Barry
Mas o detalhe aqui, nesse artigo, é que vamos falar dessa capa feita por Sy Barry. Ele foi o desenhista das tiras diárias do personagem por mais de 33 anos, e é considerado por muitos fãs, como sendo o desenhista definitivo do Fantasma.

Uma outra característica dessa série de revistas lançadas pela editora Moonstone, é que em quase todas as edições, havia um artigo editorial, com o interessante nome de "Behind The Masks", ou traduzindo para o português: "Por trás das máscaras". Geralmente trazia muitas coisas interessantes sobre o universo do nosso personagem preferido, relacionado com as séries de televisão que foram lançadas, ou com os artistas envolvidos, etc.

E nesta edição número 1 dessa série, Ed Rhoades, o editor da revista da Moonstone, publicou um artigo muito especial, de duas páginas, em agradecimento ao desenhista pela capa que ele desenhou especialmente para essa edição.

Abaixo, nós transcrevemos a tradução desse artigo. Espero que aproveitem.

Por trás das máscaras: Sy Barry
Por Ed Rhoades

Sy Barry é uma lenda para os aficcionados pelo Fantasma e uma inspiração para os artistas. Ele é o responsável por produzir mais de 11.000 tiras do Fantasma, que já foram lidas por mais de 60 milhões de leitores diariamente e a qualidade de seu trabalho tem sido do mais alto nível. As histórias realizadas nos anos de Barry são clássicas e ainda são reimpressas, mesmo depois de mais de 20 anos  após sua aposentadoria em 1993. Sua popularidade continua sendo enorme, a nível global.

Os primeiros trabalhos de Sy incluíam ajudar o seu irmão, o falecido Dan Barry, na tira "Flash Gordon", e Sy realizou essa tira sem receber os créditos, por anos, enquanto seu irmão estava na Europa. Também trabalhou em quadrinhos românticos, assim como nos de cowboys como "Hopalong Cassidy", e em tiras de super-heróis como "Superman" e "Batman", e também em histórias baseadas em programas de rádio como "Gangbusters" e "Big Town".

Sy começou a trabalhar no Fantasma em 1961, quando o popular artista oficial, Wilson McCoy morreu, e a King Features Syndicate contratou Sy para encarregar-se da tira. Imediatamente, Sy injetou nas tiras um olhar moderno e empolgante que cativou os leitores.



Seu enfoque estava em constantes mudanças, como o trabalho de Picasso. Começou com traços sofisticados que mostravam interpretações simplificadas, e eram uma combinação das técnicas de Wilson McCoy e o belo trabalho que Sy havia feito para a King Features no Flash Gordon. Com o passar do tempo, ele se permitiu acoplar seu próprio estilo. Sy inclusive experimentou utilizar referências fotográficas, enquanto compartilhava o estúdio com Stan Drake e Leonard Starr. Mas Sy continuou evoluindo e teve influência de artistas como Edgar Degas, cujo trabalho as vezes recorda os traços brilhantes que se encontram nos quadrinhos modernos. O contínuo interesse de Sy pelo fino das artes clássicas lhe trouxe algo especial para as tiras.


A tira do Fantasma, com o enfoque de Sy, era um desafio complexo. Com uma técnica clássica de desenhar, o uso de referências de uma série completa da revista National Geographic, ao qual lhe deu um número diverso de paisagens. As aventuras do Fantasma o levaram da selva ao mundo, e inclusive através do tempo (pelas memórias ou flashbacks da Fantasma anteriores). Durante a fase de Sy, as tiras não tinham um caminho fácil. Na época, os originais eram bem maiores, e se dava mais espaço aos cortes das histórias. As tiras de Sy tinham muitas coisas extras como o intrincado sombreado da misteriosa presença do Fantasma ao fundo, ou até uma agrupação imaginária de crânios flutuantes. Quando o Fantasma de Sy visitava ruínas, cada folha dos arbustos, cada peça de pedra, era cuidadosamente desenhada. E as simplificadas porém elegantes poses de Sy foram tomadas e usadas por outros artistas em diversas ocasiões. Billy Zane estudou os painéis, usando de inspiração para suas poses em sua interpretação para "Fantasma, O Filme" (1996). Billy me contou que sua história favorita era "A Ilha dos Cães", de Lee Falk e Sy Barry.


Billy Zane como o Fantasma

Após sua aposentadoria, Sy deu mais foque a pinturas à óleo, e ele fez até algumas esculturas, e também dedicou um tempo a visitar a Suécia e a Austrália. Ele se apresentou na televisão, jornais e programas de rádio, e nessas ocasiões, grandes filas de fãs aguardam pacientemente pela oportunidade de conhecer o lendário desenhista. E mesmo aposentado, ele tomou um tempo para fazer uma ilustração para a capa e interior da revista "Friends of The Phantom", e fez também pinturas a óleo para uma história escandinava do Fantasma. Recentemente, fez também uma capa para uma história da revista australiana "Frew Phantom".

Uma das maiores coisas em minha experiência como fã do Fantasma ou como historiador, foi a honra e o prazer de ser amigo de Sy. Ele e sua agradável esposa Simmy são simplesmente gente maravilhosa. Sua bondade, generosidade e hospitalidade fazem deles os melhores embaixadores para o melhor, no mundo dos quadrinhos. Eles representam todo o bem no mundo da amizade. Qualquer um que os conheça tem um bênção.

Membros dos "The Friends of The Phantom" tem em jantar anual com Sy em Nova York, e ele generosamente tem nos dado, a cada ano, um desenho a lápis original do Fantasma. Para nós, são tesouros sem preço. Foi num desses jantares que ele disse pela primeira vez que pensava em fazer uma capa para os fãs americanos do Fantasma. Não posso descrever a emoção que senti quando ele concordou em buscar tempo em sua agenda para fazer isso. Apesar de "decalques" de seus trabalhos terem sido apresentados em diversas capas de publicações do Fantasma (principalmente nas histórias da King Comics), a Moonstone é a primeira editora americana a ter a honra e a distinção de ter uma capa exclusivamente desenhada por Sy Barry.

Obrigado, Sy.

Ed. 

Bem, pessoal, é isso aí. Espero que tenham curtido esse artigo que faz uma bela homenagem a esse importante artista que ajudou a criar o Universo do Fantasma. Lembrando que o blog Fantasma Brasil já publicou anteriormente, uma outra postagem sob a etiqueta "Grandes Ilustradores do Fantasma", com destaque para o desenhista Sy Barry, e você pode ler, ou reler, nesse link. Até o meu próximo artigo.

Muito bom Kall, e estamos a espera de novos artigos seus.











3 comentários:

  1. Tenho algumas das edições da Moonstone que comprei na última Bienal do Livro, aqui no RJ. São excelentes!

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  2. Mas são em inglês, Glaucio? Não sabia que vendiam HQs importadas na Bienal. Você sabe como fazer para conseguir comprar revistas da Moonstone? Abraços...

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    1. Celso são em inglês, sim. Comprei no stand da DEVIR.

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